domingo, 21 de maio de 2017

[Para mãe que eu nunca tive]

Hoje de manhã você me acordou abrindo as janelas
pois sabe que é a unica maneira de me acordar.
Nós tomamos café juntas e você me atualizou sobre sua vida
disse que estava voltando a trabalhar e as coisas estavam indo bem.
Você me perguntou sobre meu namoro e eu disse que nos amávamos muito,
e logo complementei que ela tinha te mandado um beijo.
Você me ofereceu mais um pedaço de bolo, sem se preocupar com as calorias,
até porque você me ama do jeito que eu sou.
Você nunca me comparou com nenhuma namorada, ou nunca disse que estava
acima do peso. O peso nunca diminuiu o meu ser.
Eu me arrumei para ir para faculdade e você elogiou minha roupa,
disse que eu estava linda e eu não pude deixar de dizer que toda beleza vinha de você.
Me desejou boa aula e nunca comparou meus rendimentos com o meu irmão,
porque nós somos pessoas diferentes e logo temos habilidades diferentes.
E meu dia seguiu quente no coração como deveria ser.

No dia seguinte,
meu despertador tocou.
Você estava dormindo.
Nada de café.
Nada de elogios sinceros.
Julgamentos repetidos. Auto estima rasgada.
Realidade na cara.
Fui para faculdade,
Fria.

terça-feira, 25 de abril de 2017

cada vez que eu olho para o lado
eu te vejo cada vez mais longe
oi? você está me ouvindo?
fala um pouquinho mais alto
oi? eu não tô te vendo
depois a gente se fala
a gente se vive
a gente se beija
deixa pra depois
olha, alguns centímetros a mais
alguns metros furados dentro de mim
até quando eu ocuparei esse papel?
olha, tem um muro entre nós agora
quem vai derruba-lo primeiro?
você tem medo e eu, preguiça
ah, que saudade
vê se vem correndo com martelo e tudo
que eu não olho pra trás.

segunda-feira, 3 de abril de 2017

Hoje.

hoje eu acordei, me olhei no espelho, e não sorri pra mim.
o café que sempre me acolheu, hoje estava frio
nem o edredom mais aconchegante do mundo, me aqueceu. 
hoje eu acordei, e o céu, mesmo sem nenhuma nuvem, 
estava cinzento. 
hoje, parecia que todos os sinais estavam vermelhos. 
o tempo passou devagar, a saudade apertando a cada segundo. 
hoje, eu só queria ter visto quem já se foi. 
hoje, eu só queria o pedido de desculpas de quem nunca me pediu perdão. 
hoje, a terapia serviu de calmante pro que será que será que bate dentro de mim.
eu cheguei em casa e me senti uma estranha,
quem é você aí no espelho? 
aqui está vazio, uma roda gigante que vai, aos poucos, perdendo seus acentos,
acaba rodando sozinha. 
Hoje, eu acordei e quis viver,
mas só deu pra existir. 

sábado, 17 de dezembro de 2016

[about you]

it's always about you
and how you make me feel.
it's always about you
and how your eyes are big and blue
as de ocean.
it's always about you
and how your feet looks extremely cute.
it's always about you
and how you do the best cook in the city.
it's always about you
and how i love your kitty
and how you look alike.
it's always about you
and how i love to sleep next to you
how i feel safe when you hold my arms
and when you text me saying
"i'm coming''
it's always about you
and how my heart just knows that
no matter what

it will be always about you

quarta-feira, 30 de novembro de 2016

[a bermuda]

Você arrancou do meu coração
com suas unhas grandes e fracas 
o meu amor a mim

Você arrancou de mim
a minha melhor parte 
o meu sorriso estridente 

Você me fez chorar 
ao me encarar no espelho
e me odiar por quem eu sou

Vai ver que uma bermuda
vai me definir 
vai me diminuir 

Será que isso é um alerta teu
um aviso do meu desastre?
Será que a bermuda 
é assim como eu?
Apenas uma bermuda. 

Eu vi você arrancar de mim
apenas com seu olhar frígido
a minha faísca 
de felicidade
de mim
de nós 

Eu te declaro a grande destruidora
de vidros, de corações 
de mim. A grande escultora 
Do meu grande desastre 

Ah, querida 
Meus textos são meus escudos 
eles você não me tira
Tira a bermuda
o cabelo
as tatuagens 
Mas, querida, 
o sofrimento tu não tira.

sexta-feira, 18 de novembro de 2016

[das histórias que eu gosto de contar]

alguém há um tempo 
tinha me dito que era o amor da minha vida
e vice-versa
gastei todas as minhas energias 
mas, sempre tinha algo de errado 
algo faltando 
o tal amor da minha vida 
a dona este importante título
quebrou meu coração. 
Era um título tão falso
quanto o do atual presidente 
assim como o meu 
Eu virei uma anarquista 
chega! eu disse. 
sem títulos, sem eleitas 
passei por carecas, cabeludas 
magras e até paulistas 
e só eu,
sabia da minha tristeza. 
Era tão vazia quanto as garrafas
de cerveja que tomava 
Até que, um dia 
como sempre me imaginavam 
''Você vai encontrar alguém''
Ao cruzar os olhos com uma garota 
eu sabia que tinha mudado,
não precisava de cargos, nem de eleitas 
de 
repente
eu me senti em casa. 

terça-feira, 13 de setembro de 2016

[das coisas que eu mais odeio no mundo]


Encontro-me em um eterno filme francês. As coisas demoram para acontecer, não há trilha sonora e tudo parece que está bagunçado demais. Às vezes eu esqueço de olhar pro céu e agradecer, por sei lá o quê. Às vezes eu olho para o lado da cama e abro um sorriso que necessita de lágrimas. Às vezes eu deixo de falar de você pra minha psicóloga. Sentar naquele divã que não sei se é rosa ou vermelho, me traz a necessidade de falar de você. Quanto tempo eu ando falando de você? Não sei, talvez minha vida toda? Quanto tempo falamos das coisas que mais nos aborrecem? Pode parecer clichê, mas acho que nem Freud consegue explicar. Ah, se ele pudesse sentar comigo numa segunda feira de manhã, será que ele me entenderia? Será que se eu sentasse com você, tu me entenderia? Será que a conversa, o solucionador de todos os problemas do mundo de acordo com pesquisas do Facebook, resolveria nosso problema? Não sei. Eu sentei comigo mesma e senti um vazio do tamanho do mundo. Um vazio que você deixou e eu fui cavando. Um vazio que eu escolhi tomar café, almoçar e jantar. Um vazio que acho que conversas não irão satisfaze-lo. Um vazio que é uma das coisas que eu mais odeio no mundo. Você sabia? Acho que você se sente assim também. Nossos vazios se conversam, será? Será que se nossos vazios se encontrassem um dia em um ônibus lotado, eles iriam ficar perto um do outro ou iríamos ignorar que um dia já se conheceram? Ah, quer saber a verdade? Uma das coisas que eu mais odeio no mundo é que eu não me lembro a última vez que nos abraçamos.