sábado, 14 de dezembro de 2013

Tú, e mais um pouco de
          tú
Pra ter mais tú em 
         mim,
e mais mim em tú. 
Tú, tú podes entrar em
        mim,
mas prometas que ao sair,
olhe para trás, e veja, o 
quanto de mim, ainda há 

       em tú. 

quinta-feira, 22 de agosto de 2013

Braços gelados

Sempre me falaram da possibilidade de um dia você ir, de um dia você ir e nunca mais voltar. Já se passaram 8 meses da última vez que surtei por causa disso, e quando ainda comentam isso comigo, eu tenho vontade de ficar por baixo d'água por uns minutos, e desejar voltar no tempo. Não sei, mas quando estou em ocasiões como essa, eu fecho os olhos e tento voltar no passado. Infelizmente, não tenho muitas lembranças boas contigo, mas algo bom sempre resta, sempre nos resta algo bom. E uma das minhas melhores lembranças foi quando você foi fazer um cirurgia, e eu te esperei, te esperei por horas pra poder te ver, e você estava na cti e crianças não podiam entrar, eu me lembro que chorei tanto por não poder vê-la, que voltei para casa com o coração quebrado. No dia seguinte, logo ao te ver, me senti a pessoa mais especial do mundo, pelo simples fato de ter te visto ali, viva, respirando, dizendo ''Oi filha''. Lembro-me que durante sua estadia no hospital, eu adorava ir e voltar do terceiro andar, pra pegar café, e aquilo dali virou a parte mais legal da minha rotina. Porque era algo que me distraída daquilo que estávamos vivendo, de você no hospital, de eu ter ficado o dia inteiro te esperando pra no final não poder te ver. Acho que essa é a minha melhor lembrança de você, e eu gostava tanto de você quando você passava a odiar tanto o seu corpo e tudo em si. Eu gostava de deitar nos seus braços gelados e gordos, eu gostava de seus vestidos longos e de seu cabelo encaracolado. Mesmo com todos os seus defeitos, pra mim, você era a mais incrível e dos braços mais gelados do mundo. Você era a minha mãe, e mesmo todos os meus ''colegas'' da escola ficavam rindo da minha cara por eu ser sua filha, eu não tinha vergonha nenhuma. Porque mesmo sem o peso, ou com o peso, você conseguia ser melhor do que todo mundo daquela escola, melhor do que todas as mães de todos aqueles capetas em miniaturas que eu chamava de colegas. 
Eu fui crescendo e você mudou, depois da cti você emagreceu, seus braços não são mais gelados e seu cabelo agora é loiro. Você não gosta mais da minha presença e nem eu da sua, você me incomoda e eu te incomodo. Você é rosa e eu sou azul, poucos são os dias em que podemos ter uma harmonia entre cores. Poucos são os dias em que posso te abraçar e você me abraçar de volta, igual daquela vez. 
Quando me falam de sua ida, meu coração gela, e tudo assim fica preto e branco. Eu reclamo de você o dia inteiro, critico suas atitudes, mas não creio que possa existir em um mundo onde não exista você. Onde exista alguém que se preocupe mais comigo do que qualquer outra pessoa. Não posso viver num mundo onde não existe a mulher dos braços mais gelados do mundo. Não posso. E quero que você melhore, quero que você levante a cabeça e não me deixe. Não quero que você acabe nem com todas as nossas memórias ruins, não quero. Eu sinto sua falta e já me acostumei com isso, nós não fechamos nada, e nada foi fechado. Procuro seu amor nas minhas amizades, nos meus possíveis amores, alguns até tem os mesmos gostos e perfumes que você tem. Alguns até me dão carinho que você não me deu, alguns até me dão a atenção que você esqueceu de dar. Não são amores como o seu, que é o amor mais difícil da minha vida, e eterno como um amor é. Mas são amores que tentam te substituir, e não obtém sucesso nenhum. No final de tudo, hoje eu acordei, olhei-me no espelho e encontrei partes de ti em mim. Aquelas partes boas e ruins que todo mundo tem, olhei pra mim vi seu sorriso, e logo assim, fui sorrindo. Pra todo mundo ver que aquele sorriso ali vem de você, da mulher dos cabelos encaracolados e dos braços mais gelados, daquela que até hoje, eu tenho orgulho de dizer para aqueles projetos de gente que, aquela dali, é minha mãe.